segunda-feira, 16 de julho de 2012

Datas históricas: Aniversário da tragédia do Maracanã



O mundo estava ansioso por competições envolvendo as principais potências do futebol que, em função da Segunda Guerra Mundial, ficaram suspensas por 12 anos, entre 1938 e 1950. Decidida a recomeçar a história das copas, a Fifa viu na candidatura brasileira, uma boa oportunidade para realizar o mundial em local distante, geograficamente falando, dos resquícios da segunda grande guerra. A escolha da sede da quarta Copa do Mundo aconteceu em julho de 1946, menos de um ano após o fim da guerra.

Tendo sido escolhido para sediar o mundial, o Brasil precisava providenciar a estrutura mínima para a realização do evento e por isso, solicitou junto a Fifa que o torneio fosse realizado em 1950, e não em 1949 como inicialmente estava previsto. A solicitação foi aceita de imediato dando tempo necessário para o término das estruturas necessárias para a realização do mundial principalmente, a obra que foi motivo de orgulho para os brasileiros, o estádio do Maracanã. Tal construção ostentava o fato de ser o maior estádio de futebol do mundo e abrigaria a final do Mundial em que apenas 13 países participaram. Ou seja, estava criado o cenário para a famosa “tragédia do Maracanã”.
O Brasil era a equipe favorita para a conquista do título e estreou goleando o México por 4 a 0 no Maracanã, depois empatou com a Suíça por 2 a 2 no Pacaembu e logo em seguida, derrotou a Iugoslávia por 2 a 0, novamente no Rio de Janeiro.
A fase final envolveu quatro seleções divididas em um único grupo e a seleção arrasou os suecos com uma goleada histórica de 7 a 1. Ademir de Menezes, um dos grandes nomes e artilheiro da Copa (com nove gols), marcou quatro vezes naquele dia aumentado ainda mais, as expectativas e a confiança dos torcedores e atletas. No jogo seguinte, outro placar elástico contra a Espanha 6 a 1, com mais dois de Ademir.
O Uruguai, equipe que enfrentaria o Brasil na final, empatou em 2 a 2 com a Espanha e venceu a Suécia por um placar apertado 3 a 2. Chegou ao último jogo, contra o Brasil, com uma campanha modesta, se comparada as goleadas que a seleção aplicara na fase final. Como agravante a situação que já era desfavorável, só a vitória dava o título a seleção Uruguaia, a final aconteceria no Maracanã que foi lotado por 200 mil torcedores. Toda a delegação brasileira foi levada às vésperas da final para uma concentração no centro do Rio sentindo com isso, toda a euforia dos torcedores. Autoridades também se aproveitaram do clima de euforia para faturar politicamente com a conquista que já se tinha como certa. Os jogadores, literalmente, perderam o foco.
O fim da história é conhecido por todos, naquela tarde de 16 de julho de 1950, Friaça abriu o placar para o Brasil no início do segundo tempo, mas a Celeste empatou com Schiaffino e virou a partida com Ghiggia, em um lance que se imortalizou e colou no goleiro Barbosa o rótulo de “vilão nacional” até o fim de sua vida. O “Maracanazzo” gerou um grande trauma na seleção e na sociedade brasileira de forma geral. A autoestima da nação foi atingida, e só com o primeiro título mundial em 1958 começou a apagar o chamado “complexo de vira-latas”, expressão criada pelo escritor Nelson Rodrigues em alusão ao sentimento voluntário de inferioridade do brasileiro em relação ao resto do mundo.


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