domingo, 19 de agosto de 2012

Grécia antiga: Período Homérico



O estudo desse período  baseia-se na interpretação de duas obras, Ilíada e Odisséia, que são atribuídas a Homero.

A ideia central da Ilíada gira em torno da tomada de Tróia pelos gregos. O autor se concentra de maneira especial na figura do herói Aquiles, descrevendo sua cólera com Agamenon, que lhe roubou a escrava Briseida; após esse fato, Aquiles se recusou a participar dos combates contra os troianos; a morte do seu amigo Patroclos, porém, fez Aquiles voltar aos combates.

A outra parte mais significativa da obra descreve o cavalo de madeira que os gregos usaram para tomar a cidade.
Na Odisséia encontramos, na maior parte da obra, uma descrição do retorno do Ulisses ao Reino de Ítaca. Contudo, podem-se destacar também outros temas fundamentais para a compreensão da obra: A viagem de Telêmaco, de Ulisses e o massacre dos pretendentes da sua esposa.
Apesar de atribuídas a um mesmo autor – Homero -, a Ilíada e a Odisséia são muito diferentes no vocabulário, no estilo e nos acontecimentos descritos. Por exemplo, na Ilíada o autor não menciona o uso do ferro, ao passo que na Odisséia há referências constantes a esse material. Provavelmente, as obras foram criadas com um intervalo de 50 anos entre uma e outra: A Ilíada no final do século Ix a.C e a Odisséia, nos meados do século VIII a.C. (ARRUDA, 1987, p.124)

Provavelmente a ilíada foi escrita por um poeta jônico e a Odisséia por um poeta da parte insular do território grego. Todavia, vale ressaltar que as obras sofreram alterações por parte dos aedos*, através das gerações. Ambas as obras só foram escritas no século VI a.C., em Atenas, durante o governo do tirano Psistrato.
O Sistema Gentílico - A unidade elementar que compunha a sociedade grega a partir do século XII a.C. eram as grandes famílias, genos, em que todos indivíduos pertencentes a mesma origem, antepassados, coabitavam o mesmo espaço. Os membros dos genos (gens) estavam ligados uns aos outros pelos laços familiares e, por sua vez, eram chefiados pelo pater-familias. A figura do pater-familias garantia a unidade familiar dos genos uma vez que eram responsáveis pelo culto aos antepassados, administração e justiça todas baseadas no costume.

As economias do genos eram basicamente agropastoril, coletivista social e economicamente. Todavia, o genos apresentavam diferenciações particulares, uma vez que a posição da pessoa na família dependia diretamente, do grau de parentesco com o pater-familias. Politicamente falando, o poder patriarcal do pater-familias se estruturava no domínio de certas fórmulas secretas, que possibilitavam seu contato com os deuses protetores do genos. A partir da copreensão da estrutura do genos, conclui-se consequentemente, que a economia estava restrita a administração do lar (oiconomicus) ou seja, a economia do genos era auto-suficiente.

Os instrumentos de trabalho, bens produzidos e a propriedade pertenciam a todos os gens e por isso, não podiam ser vendidos, transferidos e/ou divididos. A exemplo da propriedade as tarefas também eram coletivas sendo expulso do genos inclusive, o indivíduo que se recusasse cumpri-las. Toda produção era distribuída entre os membros, impedindo com isso, qualquer tipo de desigualdade econômica. Os trabalhos escravos ou de artesãos eram pouco comuns nas economias gentílicas ocorrendo ocasionalmente, quando havia inabilidade para alguma tarefa ou nos casos de famílias pouco numerosas.

Em função das suas próprias características, o sistema gentílico tornava-se vulnerável e posteriormente, veio a ser extinto. Os meios de produção contavam com tecnologias rudimentares e por isso, não acompanhavam, quantitativamente, o crescimento demográfico. Em função disso, a população passou a trabalhar mais por uma renda menor e isso foi ao poucos, gerando descontentamentos. As perdas do estímulo para o trabalho e maiores exigências na partilha dos produtos surgiram rapidamente. Os filhos mais jovens e os bastardos protestavam contra a vida difícil que levavam e isso, prejudicou a unidade familiar. O conforto e o luxo passaram a ser objeto de desejo daqueles indivíduos que aos poucos, descobriam o individualismo despertando inclusive, a necessidade de dividir a propriedade que outrora era coletiva:

A repartição dos bens comuns era realizada pelo chefe da comunidade, que beneficiava seus filhos mais próximos, em prejuízo dos parentes mais afastados. Primeiro dividiam-se os bens móveis, isto é, gado, escravos, barras de metal, vasos preciosos, armas e vestuário. O passo seguinte seria a divisão da habitação; mas, como a casa não podia ser repartida, cada família passou a viver em uma casa particular. Por fim, a própria terra – bem principal – foi repartida. Com isso, a posse da terra, de coletiva passou a privada (ARRUDA, op. cit., p. 125).
A divisão dos lotes era comumente feita por sorteio e posteriormente, por ocasião de herança, seriam novamente divididos. Tal fato deu início a violentas disputas pela posse da terra. Todavia, nas terras coletivas e particulares os lotes podiam ser divididos, mas não repassados para quem não tivesse pertencido ao antigo genos.

As diferenças sociais ganharam força, surgiram grandes proprietários de terras férteis em detrimento dos pequenos proprietários das terras pouco férteis. Além disso, numerosos grupos perderam suas propriedades ou herdaram lotes insignificantes territorialmente e pouco férteis. Tais grupos formaram uma camada socialmente marginalizada que vivia de pequenas recompensas financeiras, obtidas com algum trabalho, ou de esmolas. Alguns passaram a dedicar-se a navegação, pirataria, impulsionando o com isso, o comércio marítimo.
No plano político, a desintegração gerou a passagem do poder do pater-familias para os parentes mais próximos, os eupátridas (filhos do pai), que monopolizavam os equipamentos de guerra, a justiça, o poder religioso, todo o poder político enfim. Esta camada deu origem à aristocracia grega, cujo poder resultava da posse da riqueza fundamental - a terra (ARRUDA, op. cit., p. 126).
Os membros da aristocracia uniram-se em fratrias (irmandades); as fratrias por sua vez, deram origem as tribos. A partir da união de várias tribos e seus vilarejos (cinesismo), surgiu a polis (cidade estado).

Cidade-estado (estrutura): ACRÓPLE, templo construído sobre uma elevação; ÁGORA, praça central; ASTI, mercado de trocas. Ocorria, portanto, a transição da economia familiar para a urbana em que se observava ainda, a ocorrência de elementos familiares.

Aedos*, poetas que transmitiam os poemas oralmente, através das gerações.

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