segunda-feira, 26 de novembro de 2012

As Cruzadas

As cruzadas eram expedições militares cristãs organizadas, oficialmente, para conquistar os lugares sagrados do Cristianismo que estavam em poder dos muçulmanos. 

De 1095 a 1270, a cristandade européia organizou oito cruzadas. As principais conseqüências das cruzadas foram: empobrecimento dos senhores feudais, fortalecimento do poder real e desenvolvimento do comércio entre Ocidentes e Oriente, bem como do intercâmbio cultural.


As Cruzadas teriam sido impossíveis sem a crise do sistema feudal, que marginalizou a mão-de-obra militar, indispensável à realização das campanhas militares. Se as Cruzadas fossem convocadas um século antes, não haveria homens com vontade de partir para uma aventura militar em terras desconhecidas.

Além desses fatores gerais, pode-se destacar um motivo mais particular das Cruzadas: a ascensão do poder papal. O fortalecimento do poder papal ficou claro durante a Querela das investiduras, quando o Papa Gregório VII impôs sua autoridade ao imperador alemão Henrique IV. Mas se tratava também de um problema interno da Igreja. Isto é, com o cisma ocorrido durante a Querela das Investiduras, a Igreja passou a ter dois papas. O verdadeiro, no exílio, e o antipapa, em Roma.

Para as cidade marítimas italianas, as cruzadas trouxeram grandes vantagens para o comércio e também abriram as portas para a Síria e a Palestina, locais de onde afluíam as mais preciosas mercadorias do Oriente. A Itália conseguiu, nesse período, a supremacia econômica sobre todo o Ocidente.

Entre os séculos XI e XIII ocorreram oito cruzadas, das quais participaram senhores dos vários países cristãos e que foram promovidos e encorajados pela Igreja e ordens religiosas.

O nome Cruzada se originou em virtude da cruz que os expedicionários usavam no peito ou no ombro direito e nas bandeiras.

Durante as cruzadas, a Igreja criou as Ordens da Cavalaria, destinadas a proteger as fronteiras e combater os infiéis.

As Principais Cruzadas

· Primeira Cruzada (1096 – 1099) (Cruzada dos Nobres): Chefiada por nobres como Godofredo de Bouillon, Roberto da Normandia, Balduíno de Flandres e Raimundo de Toulouse, essa cruzada conquistou a cidade de Jerusalém, onde se fundou um Reino Cristão. Para manter-se nos territórios ocupados, os cruzados fundaram várias ordens: Templários, Hospitalários, Cavaleiros Teutônicos.

· Segunda Cruzada (1147 – 1149): chefiada pelo imperador Conrado III, da Alemanha, e por Luiz VII, da França. Tentaram ocupar Jerusalém, que estava sendo ameaçada pelos muçulmanos, mas seus esforços foram em vão. O sultão do Egito, Saladino, reconquistou Jerusalém em 1187.

· Terceira Cruzada (1189 – 1192) (Cruzada dos Reis): Chefiada por Frederico Barba Roxa, da Alemanha, e por outros reis como Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, e Felipe II, da França. Os lideres dessa Cruzada conseguiram estabelecer um acordo com o sultão Saladino, que se comprometeu a permitir as peregrinações dos cristão a Jerusalém.

· Quarta Cruzada (1204 – 1204) (Cruzada Venezianal): O Papal Inocêncio III fez um grande apelo aos príncipes europeus, para que organizassem uma cruzada contra o Egito. Mas a cidade de Veneza, que deveria ceder os navios, tinha interesses comerciais voltados para a destruição de Constantinopla. Assim, foi para lá que se dirigiu essa Cruzada, que pilhou e saqueou Constantinopla em 1204, desorganizando o Império Grego lá sediado (fundaram o Império Latino do Oriente, que teve curta duração).

· Quinta Cruzada (1217 – 1221): Foi orientada contra o Egito, mas não conseguiu obter sucesso. Os cruzados foram forçados a regressar, em meio às inundações do Nilo.

· Sexta Cruzada (1228 – 1229): Foi chefiada por Frederico II, da Alemanha, e conseguiu obter do sultão do Egito, El Kamil, a entrega das cidades de Jerusalém, Belém e Nazaré.

· Sétima Cruzada (1248 – 1250): Chefiada por Luís IX (São Luiz), da França, voltou-se contra o Egito, mas o fracasso foi total. O rei foi preso com todo o seu exército e somente libertado mediante o pagamento de um elevado resgate.

· Oitava Cruzada (1270): Novamente organizada por Luís IX, a expedição desembarcou no norte da África. Vitimada por uma epidemia de peste, a expedição se desfez, após a morte de seu líder, Luís IX.

Conseqüência das cruzadas

Depois de quase dois séculos, o ambicioso programa cristão deixou pontos positivos e pontos negativos.

Pontos positivos

Foi incentivado o comércio entre o Ocidente e o Oriente.

Desenvolvimento da navegação.

Grande comércio foi desenvolvido com o renascimento das cidades.

Abertura do Mediterrâneo ao comércio.

Troca culturais e informações cientificas.

Pontos negativos

A morte de milhares de pessoas, com lutas e pestes.

Grandes fortunas foram gastas pelos nobres.

Muitos servos foram obrigados a deixar os feudos para ir lutar nas cruzadas.

Jovens foram explorados e escravizados.

As Cruzadas como expansão colonial do Ocidente

Entretanto, na Idade Média, durante as Cruzadas, houve certa expansão colonial da Europa, pois muitos nobres, que participavam dessas expedições, pretendiam conquistar domínios no Oriente; assim, com a primeira Cruzada, surgiram o reino de Jerusalém, o principado de Antioquia e os condados de Edessa e de Trípoli. Para garantir essas conquistas fundaram-se ordens militares, cujos membros eram, ao mesmo tempo, frades e soldados. Entretanto, nada pode impedir que os turcos reconquistassem seus territórios.

Outra forma de expansão colonial foi o que procurou realizar São Luiz, quando, na sétima Cruzada, se dirigiu para o Egito. Esse soberano, procedendo como se vivesse em nosso tempo, pensou em valorizar o Egito, como colônia francesa, conduzindo em sua esquadra sementes e instrumentos agrícolas.

Datas e fatos essências

1095 – 1099: Primeira Cruzada.
1099: Tomada de Jerusalém
1147 – 1149: Segunda Cruzada.
1189 – 1192: Terceira Cruzada.
1202 – 1204: Quarta Cruzada.
1204: Saque de Constantinopla.
1212: Cruzada das Crianças.
1217 – 1221: Quinta Cruzada.
1228 – 1229: Sexta Cruzada.
1248 – 1250: Sétima Cruzada.
1270: Oitava Cruzada.
1291: Queda de Acre.

O RENASCIMENTO DO COMÉRCIO

Diversos acontecimentos verificados no final do século X, como o controle das invasões bárbaras e o aumento da população européia, criaram condições favoráveis à incrementação da atividade comercial.

Cruzadas determinaram o aumento da produção de alimentos e de equipamentos para os guerreiros.

Os mercadores europeus estenderam suas atividades até os mares Báltico e do Norte, obtiveram madeira, couro, peles, peixes e muitos outros produtos.

E a cidade de Bruges passou a ser um grande centro comercial do mar do Norte.

O vai e vem dos comerciantes, pelas terras européias, fez surgir grandes feiras, como as de Frankfurt (Alemanha), Champagne e Lion (França).

Paralelamente às atividades comerciais, ocorriam transações financeiras efetuadas pelos negociantes de dinheiro – os banqueiros – que ficava, atrás de uma banca de madeira avaliando e trocando as diferentes moedas.

Uma das modificações mais importantes de crescimento do comércio foi, a progressiva substituição do modo de produção feudal pelo modo de produção capitalista.

Dá o direito de rotulá-lo de fase pré-capitalista, levando-se em consideração as seguintes características:
Uso do dinheiro em todas as aquisições de bens.

O pagamento em moeda nas prestações de serviço.

A produção voltada para o mercado.

A preocupação com o lucro.

A Igreja se opôs à ideologia burguesa, condenando o lucro e considerando pecado a usura.

Comerciantes, artesãos, armadores, reis, senhores feudais e até clérigos, para realizarem seus empreendimentos, recorriam a eles.

Para defender os interesses dos comerciantes, existiam as guildas, sendo a mais famosa a Liga Hanseática da cidade de Lübeck.

Os desenvolvimentos do comércio e das atividades artesanais foram vitais para o progresso das cidades. Da mesma forma que as cidades litorâneas dos mares Mediterrâneos, Bálticos e do Norte, cresceram as pequenas cidades fortificadas, genericamente conhecidas por burgos. Muitas delas originaram-se das feiras armadas nos entroncamentos das estradas, na confluência de rios ou junto às muralhas de uma igreja ou de um castelo.

O RENASCIMENTO URBANO

Com o fim do isolamento do sistema feudal, a população européia voltou a agrupar-se em povoados que se transformaram em cidades. Os servos, vilões e nobres que se haviam transformado em aventureiros ou assaltantes de estrada foram trocando as atividades ilegais pelo comércio legal.

Os locais passaram a funcionar como pólos de comércio. Com o tempo, estabelecimentos surgiram fora dos muros dos castelos. Ao longo das estradas e dos rios, nasciam grupamentos que atraíam os camponeses e, mais tarde, tornavam-se cidades.
O desenvolvimento comercial formava novas cidades, e estas intensificavam o comércio. Uma coisa puxava outra. Uma zona fortificada constituía o burgo, que assegurava a defesa.
O castelo ou palácio, símbolos da sociedade feudal, estagnaram, enquanto os povoados cresciam cheios de vida. Ali se realizavam as feiras, mercadores armavam tendas, cambistas trocavam moedas, artesãos fabricavam e expunham seus produtos.
A população urbana chegou ao máximo no século XIV, quando veio a peste negra. As maiores cidades ocidentais foram Paris, Milão, Veneza, Florença e Nápoles. O número de habitantes não passava de 100 000. Entre 30 000 e 50 000. a Córdova muçulmana chegou a ter 900 000 habitantes no século XI.
Pelas ruas tortuosas, os detritos eram atirados em qualquer lugar e, através de uma vala elevada aos limites da cidade; acumulavam-se
à beira dos muros, formando os focos de epidemias. Como o material mais usado era a madeira, havia incêndios freqüentes. As classes rurais, os francas.

AS CORPORAÇÕES
Como a produção artesanal e o comércio tornaram-se mais procurados que artesãos passaram a organizar-se em associações para regularizar as suas atividades.
As corporações controlaram a produção e impediam a concorrência desleal, os preços foram regulamentados e também os padrões de qualidade.
Com o objetivo de tornarem-se fortes para negociar com os senhores feudais.
Essas associações também negociavam os impostos.
Logo que a organização tornou-se totalmente autônoma em relação aos feudos, elas passaram a cuidar da administração das cidades livres.

A FORMAÇÃO DAS MONARQUIAS NACIONAIS
"Havia um rei cujo povo vivia infeliz em meio a brigas e desordens. Os habitantes andavam amedrontados, apenas da muralha alta e forte que cercava a cidade".
Um dia, então, o rei mandou chamar um dos seus mensageiros, Lisandro e disse a ele:
- Falaram-me de uma cidade maravilhosa onde os habitantes vivem calmos e felizes. Lá não há medo. Quero que você vá a procura dessa cidade e descubra o segredo de tal segurança. Vá e, de posse do segredo, volte imediatamente para avisar-me. Também queremos paz, alegria e segurança.
Lisandro, o fiel servo, montou seu cavalo veloz. Os portões da cidade foram abertos por ordem real. O mensageiro saiu viajando pelo mundo afora. Depois de muitos dias de penosa caminhada avistou, muito distante, torres e edifícios. Então pensou: "lá deve estar a cidade que procuro. Mas como farei pra conseguir entrar? As muralhas devem ser altas e fortificadas para que a cidade seja tão segura quanto dizem".
Ao aproximar-se, para surpresa sua não viu muralha nenhuma. Seu corcel galopava por uma silenciosa estrada que ia dar diretamente no portão do castelo real.
O mensageiro apeou e dirigiu-se à presença do rei que governava a cidade:
— O senhor ñ acha que é arriscado demais deixar assim a cidade aberta sem nenhuma muralha para protegê-la?
— Ah! Respondeu o rei. Seria, certamente, arriscado demais se eu não tivesse uma muralha fortíssima! Venha e eu lhe mostrarei tudo.
Lisandro, pois, saiu pelas ruas da cidade, acompanhado pelo rei. Viu edifícios belos e majestosos. Viu lindos parques e jardins. Viu os fortes ajudando os fracos.Viu crianças e adultos em perfeita harmonia, obedecendo às leis do lugar. Percebeu risos e cantos; mas não ouviu gritos, nem clamores.
Então o rei voltou-se para ele e disse:
— Por que meu povo haveria de viver com medo? Aqui reina o amor e a confiança mútua. A cidade é feita pelo povo que vive nela. A Muralha da cidade é feita pelo povo que vive nela. A muralha da cidade é meu povo. Não preciso de outra. Cada pessoa de meu reino é uma pedra dessa muralha.
Lisandro apressou-se a voltar a sua cidade, pois encontrara o segredo da segurança e da felicidade. Queria contá-la logo ao seu rei e ao seu povo.
Assim, pouco a pouco, as muralhas foram caindo; os meninos e as meninas, os homens e as mulheres, todos aprenderam a estimar-se uns aos outros. Aprenderam também a se ajudar mutuamente, e juntos, tornaram-se um povo forte, calmo e feliz".
Saiba que se trata de uma adaptação da "Cidade Feliz", de Hans Cristian Andersen, que mostra a importância do amor, da confiança mútua e da união entre governantes e governados, para que haja paz, felicidade e segurança no seio da sociedade.
É pena que o estudo deste capitulo seja o inverso da "Cidade Feliz". Os reis que formaram as primeiras monarquias nacionais européias, jamais pensaram na felicidade das pessoas das camadas humildes da sociedade. Preferiam aliar-se à burguesia, por causa do dinheiro.
Você viu que os reis ficaram com seus poderes limitados.
No entanto, com o surgimento da burguesia essa situação começou a se modificar porque, com apoio financeiro dessa classe social, o rei pôde organizar um numeroso exército permanente, comprar armas de fogo e desenvolver uma política de concentração de terras e centralização do poder.
Ao rei interessava o domínio das terras feudais, enquanto a burguesia desejava ampliar suas atividades econômicas.
Era necessária a existência de um poder centralizado, capaz de estabelecer leis uniformes padronizar a moeda, os pesos e as medidas, extinguir a cobrança de pedágios nas estradas e nos rios.
Apesar das dificuldades criadas pelos senhores feudais e pela Igreja, lentamente os reis foram impondo sua autoridade nas terras senhoriais, estabelecendo em territórios onde os habitantes falavam a mesma língua, tinham os mesmos costumes e obedeciam a legislação instituída pelo poder real.

A GUERRA DOS CEM ANOS
A mais longa guerra de que se tem conhecimento, começou em 1337 e terminou em 1453. No entanto, ela não foi contínua, havendo alguns momentos de paz.
Eduardo III, rei da Inglaterra que invocou direitos a sucessão os tronos francÊs, surgiram problemas entre as coroas inglesas e francesa, porque os reis da dinastia de Valois confiscaram importantes feudos ingleses no território francês.
Os ingleses reagiram porque as industrias flamengos eram os maiores compradores de lã inglesa.
A guerra trouxe perdas irreparáveis para ambos os lados, havendo o fortalecimento do Estado francês e inglês.
Os reis da dinastia Vaois ficaram, por muito tempo, ocupando o trono francês na Inglaterra, os reis da dinastia Dancaster disputaram com os da dinastia de York o trono. Tal polêmica causou a Guerra das Duas Rosas que durou 30 anos (1455 – 1485), encerrando-se quando as classes dominantes ligados as duas famílias chegaram a um denominador comum: coroaram rei da Inglaterra Henrique Tudor que descendia das duas famílias.

FORMAÇÃO DA MONARQUIA FRANCESA
A formação da Monarquia francesa
Embora a Europa como um todo tenha vivido o processo de formação das monarquias nacionais, a França constituiu seu exemplo mais significativo.
Com a desagregação territorial e o declínio dos reis carolíngios, Hugo Capeto, conde de Paris, assumiu, em 987, o trono francês, iniciando uma nova dinastia, a capetíngia, que reinaria até 1328. coube aos Capetos a difícil tarefa de superar a autonomia dos senhores feudais, instalando progressivamente um poder real forte e de caráter nacional, pois até então o poder era exercido, na realidade, por vassalos reais: duques e condes, soberanos e autônomos, sendo o principal deles Guilherme, duque da Normandia. Tendo ocupado a Inglaterra, em 1066, Guilherme tornou-se mais poderoso que seu próprio soberano, o rei da França. Entretanto, a atuação dos capentígios reverteria essa situação.
Pela influência decisiva que tiveram no processo de centralização do poder, três monarcas dessa dinastia merecem destaque: Filipe Augusto, Luís IX e Felipe IV.
A maioria das realizações político-administrativas do reinado de Felipe II contribuiu para consolidar o poder dos soberanos capetíngios. Ao conceder feudos a seus vassalos, por exemplo, exigia deles o compromisso de que também os subvassalos lhe fossem fiéis. Obteve, além disso, novas fontes de renda, vendendo cartas de franquia a diversos burgos ou exigindo de seus vassalos um pagamento em moeda pela concessão de dispensa de suas tradicionais obrigações feudais. Criou impostos nacionais, nomeando funcionários – os bailios e senescais – para cuidar do recolhimento de tributos e fazer prevalecer as leis e a justiça real sobre as dos senhores. Isso tudo permitiu ao soberano assumir o controle político de vastas áreas até então sob domínio dos nobres locais.
O reinado de Luís IX (1226 – 1270) singularizou-se pela eficiência com que combateu o particularismo feudal e pelo seu esfprço em consolidar a monarquia francesa. Esse soberano deus continuidade à obra de seu predecessor, assimilando e submetendo os territórios conquistados por Felipe III. Para isso, realizou importantes reformas judiciárias e financeiras, ampliando o poder dos tribunais reais e substituindo uma moeda de circulação nacional.
Luís IX empreendeu, sem êxito, a Sétima e a Oitava Cruzada, vindo a falecer durante a última. Por sua profunda religiosidade, adquiriu a reputação de santo, tendo sido de fato canonizado pela Igreja alguns anos após sua morte, como São Luís.
Filipe IV. O Belo (1285 – 1314), deu prosseguimento à política de seus antecessores, expandindo as fronteiras do reino e centralizando o poder, entretanto, em sua luta pelo fortalecimento da monarquia, entro em sérios conflitos com a Igreja, que impunha restrições à autoridade real.
As divergências entre rei e a Igreja intensificaram-se quando Filipe IX, cujo governo atravessava uma profunda crise econômica, decidiu forçar o clero a pagar impostos dos quais estava, até então, dispensado. Como essa medida implicasse a redução das rendas da Igreja, Filipe IV enfrentou forte oposição do papa Bonifácio VIII, que ameaçou excomungá-lo.
Receoso das repercussões de uma excomunhão, o rei buscou apoio da sociedade, constituído pela primeira vez na história da França uma assembléia que reunia representantes do clero, da nobreza e dos comerciantes das cidades. Assim, em 1302, a Assembléia dos Estados Gerais, como passou a ser chamada, autorizou a cobrança dos impostos clericais. Instituição de caráter consultivo, os Estados Gerais foram convocados vários vezes, não só por Filipe IV, mas também por seus sucessores atuando até 1614.
A transferência do papado para Avignon não teve aceitação de boa parte do clero romano, culminando na eleição de outro papa em Roma, seguindo mais tarde da escolha de um terceiro, de pouca duração, na cidade de Pisa. A crise aumentou quando cada um dos papas buscou combater seu concorrente, determinando excomunhões ao rival e a seus seguidores. Esta divisão da cristandade ficou conhecida como Cisma do Ocidente, estimulado a oposição teológica elevando ao colapso o poder universal da Igreja. Somente em 1417 terminaria o Grande Cisma, quando foi eleito um único papa Martin V- e apenas Roma passou a abrigar a sede do papado.
Na França, em 1328, após a morte no último rei capetíngio, iniciou-se um longo período de crises na história do país. No decorrer do século XIV, a monarquia francesa sofreria duros golpes entre os quais o prolongado conflito com a Inglaterra, na guerra dos cem anos.

A FORMAÇÃO DA MONARQUIA INGLESA
No século V, tribos germânicas, sobretudo anglos e saxões, ocuparam a ilha britânica, estabelecendo ali sete reinos bárbaros.
Entre os séculos VI e VII, a heptarquia saxônica gradualmente evoluiu para a composição de três reinos; e, no século IX, fundiram-se num Estado anglo-saxônico, comandado por Egberto, rei de Wessex. Foi durante o processo de formação desse Estado que implantou o feudalismo na Inglaterra. Em 1066, o último rei anglo-saxônico, Orlando II, foi derrotado na batalha de Hastings por Guilherme I, o conquistador, duque da Normandia que deu inicio à dinastia normanda. Nessa época, contrariamente a que ocorria na França, os reis Ingleses foram capazes de subordinar a nobreza, estabelecendo um forte poder centralizado. Para garantir o controle sobre os nobres, Guilherme dividiu a Inglaterra em condados (shires), os quais eram supervisionados pelos sheriffs, funcionários do rei.
Em 1154, com a morte do último herdeiro direto de Guilherme I, subiu ao trono Henrique, conde Anjou, um nobre francês de origem normanda. Coroado como Henrique II (1154 – 1189), inaugurou a dinastia dos Plantagenetas, ou angevina.
O reinado desse monarca caracterizou-se pela ampliação dos poderes reais através da adoção de medidas como o fortalecimento da justiça real. Criou-se a common law, uma lei comum a todo o território inglês, cuja aplicação era controlado por juizes que percorriam todos os condados.
Henrique foi sucedido por Ricardo I, ou Ricardo Coração de Leão, que governou a Inglaterra entre 1189 e 1199. Seu permanente envolvimento em batalhas contra a França e sua participação na Terceira Cruzada mantiveram-no afastado do trono durante a maior parte de seu reinado. Suas prolongadas ausências e a insatisfação geral com o constante aumento dos impostos acabaram por debilitar o poder real, possibilitando o fortalecimento dos senhores feudais.
A política de Ricardo I foi seguida por seu irmão João Sem-Terra (1199 – 1216). Os impostos, cada vez mais altos, destinavam-se a cobrir as despesas com as intermináveis guerras contra a França, pela demarcação de fronteiras, e posses territoriais. No intuito de obter mais fontes de renda, João decidiu confiscar terras da Igreja, o que indispôs com o papa Inocêncio III. Ameaçado de excomunhão, pediu perdão, devolveu os bens do clero. Seu envolvimento nas lutas contra o rei francês resultou igualmente em fracasso: em 1214, foi derrotado na batalha Bolvines, perdendo considerável parte de suas terras na França.
O clima de descontentamento provocado pelo abuso na taxação de impostos e pelas sucessivas derrotas contra a França resultou numa revolta dos senhores feudais. Apoiados pelos burgueses, em 1215; impuseram a João Sem-Terra a Magna Carta, documentos que determinava que, a partir de então, os reis ingleses só poderiam aumentar impostos ou alterar as leis com a aprovação do Grande Conselho, composto por membros do clero, condes e barões. A Magna Carta é considerada a base das liberdades inglesas, mas constitui, em essências, a imposição da autoridade dos nobres sobre o poder real.
O mito por trás de Robin Hood
É comum encontrarmos a lenda de Robin Hood associando à luta contra o desabusado rei João, em meio à crise inglesa que aumentava desde o governo de Ricardo.
"Uma das grandes dúvidas sobre Robin Hood é: tal pessoa? Seguindo os "empíricos", houve e, segundo os "míticos", não houve. Na maneira maravilhosamente absorvente dessas coisas – o trabalho de detetive histórico supera a variedade de ficção em milhões de léguas – a resposta indica que houve muitos Robin Hood, a maioria dos quais recebeu esse nome por causa do Robin Hood verdadeiro – isto é, mítico – para marcar sua condição de fora-da-lei. Ou como sugere Stephen Knight, porque, depois de um exame criterioso dos argumentos, ele fica ao lado dos "míticos".
Robin Hood é um emblema da liberdade, antiautoritarismo e justiça natural. Ele rouba dos ricos para dar aos pobres; ele engana o gerente e seus comandados; e vive o idílio rural com seu alegre bando de companheiros (e posteriormente com lady Marian). Nas fontes iniciais – crônicas, cantigas e "apresentações" que foram precursoras do teatro – Robin é um fora-da-lei, as vezes até "um assassino".
Mas no século XVII ele tinha sido enobrecido: tornara-se conde de Huntington, cujos bens foram confiscados por um rei usurpador, e em revolta não contra a verdadeira autoridade na forma do bom rei Ricardo ausente, mas contra o tirano traidor de mal, rei João. Desse modo, sua criminalidade foi legitimada e o próprio fora-da-lei transformou-se em um herói adequadamente aristocrata.
É esse bom fora-da-lei de sangue nobre que, junto com os acréscimos de pequeno John, frei Tuca e lady Marian, nos proporciona o Robin romântico e hollywoodiano que todos conhecemos"

A FORMAÇÃO DAS MONARQUIAS NACIONAIS IBÉRICAS
A unificação política da Espanha, bem como a de Portugal, não está associada a uma a significativa evolução da economia capitalista-burguesa, não surgindo, portanto, como resultado da aliança entre a realeza e a burguesia, como ocorreu na França e na Inglaterra. Fundamentalmente, ela originou-se da necessidade que tiveram os nobres de se unir no combate aos muçulmanos durante a Guerra da Reconquista.
Com a decadência do Império Romano, a península Ibérica fora invadida pelos visigodos, povo bárbaro posteriormente convertido ao cristianismo. Predominar na região até 711, quando os muçulmanos invadiram a península destruindo o reino visigótico cristão. Acuados, os cristãos deslocaram-se para o norte, formando o reino das Astúrias.
A partir de então, durante séculos, os cristãos lutaram contra os mulçumanos pela recuperação de seus territórios. Essas lutas tornaram-se mais intensas a partir do século XI, com influencia do espírito das Cruzadas. Da Guerra de Reconquista contra os mouros (assim chamados os muçulmanos pelos ibéricos) nasceram, ao longo dos séculos XI e XII, os reinos de Leão, Castela, Navarra e Aragão.
Castela e Aragão acabaram por anexar Leão e Navarra, bem como os novos territórios reconquistados pelos cristãos. Em 1469, com os casamentos dos reis Fernando de Aragão e Isabel Castela, os dois reinos se unificaram, restando do domínio árabe apenas o reino mulçumano de Granada, efetuada em 1492 por Fernando de Aragão, eliminou o domínio mulçumano na península Ibérica e encerrou o processo de formação da monarquia nacional espanhola.
A Guerra de Reconquista
Também relacionada ao processo de reconquista, está o surgimento do reino de Portugal. Durante a Baixa Idade Média, os embates entre cristãos e mulçumanos atraia grande número de cavaleiros medievais. Esses cavaleiros, procedentes de diversas regiões da Europa, dispunham-se a apoiar os reinos ibéricos em troca de benefícios ou concessões. Entre esses nobres, distinguiu-se Henrique, da casa de Borgonha. O auxilio prestado ao rei Afonso VI, de Leão, valeu-lhe o casamento com uma das filhas do monarca e o recebimento, a título de dote, do Condado Portucalence, cuja as terras compreendiam as cidades de Braga, Coimbra, Viseu, Lamego e Porto.
Nesse período, a agricultura assumiu destacada importância, constituindo um instrumento eficaz para o povoamento das terras tomadas aos mouros nas lutas de reconquistas. Essas terras eram doadas pelos soberanos às pessoas de sua confiança – os fidalgos – e às ordens religiosas e militares, proporcionando prestígio e força política à nobreza. Todavia, ao contrario do que sucedia em outras regiões da Europa, essas doações não tinham caráter hereditário: por ocasião da morte do feudatário, as propriedades voltavam às mão do rei, que as redistribuía segundo conveniências políticas. Assim, os reis da dinastia de Borgonha puderam preservar sua autoridade, tornando-se poderosos e respeitados. A origem da burguesia comercial lusitana está relacionada ao desenvolvimento da atividade pesqueira e ao incremento da produção agrícola para o abastecimento das tropas reais.
No ano de 1383, morria D. Fernando que era o último rei da dinastia de Borgonha, iniciando-se uma disputa pela sucessão ao trono. A nobreza ambicionava a entregar a coroa ao rei de Castela, genro de D. Fernando, enquanto o grupo mercantil sentia, nessa união, uma ameaça aos seus interesses, devido ao caráter acentuadamente feudal da política de Castela.
O acirramento das tensões entre a burguesia e a nobreza propiciou a eclosão da Revolução de Avis: o grupo mercantil, os populares, chamados de "arraia miúda" e os nacionalistas em geral uniram-se a D. João, o Mestre de Avis, irmão bastardo do finado D. Fernando, para enfrentar a nobreza e os castelhanos. Em 1385, com a derrota dos castelhanos na batalha da Aljubarrota, D. João foi aclamado rei de Portugal, inaugurando um forte Estado nacional.
O SACRO IMPÉRIO ROMANO
O Sacro Império Romano-Germânico
A monarquias nacionais da Alemanha e da Itália não se estabeleceram senão muito depois do fim da Idade Média. Os constantes conflitos entre os imperadores do Sacro Império e os papas acabaram por comprometer a unidade da Alemanha e da Itália, mantendo essas duas regiões divididas em numerosos Estados, alguns deles bastante pequenos. A luta entre o papado e o Império manifestou-se decisivamente durante o pontificado de Gregório VII (1073-1085), quando teve início a Querela das Investiduras.
No Sacro Império, o clero estava submisso aos soberanos, que nomeavam – investiam – os bispos ou exerciam dura pressão para impor candidatos de sua escolha, muitas vezes pessoas interessadas apenas nas vantagens materiais do cargo, não raramente corruptas e indignas do cargo clerical que ocupavam.
O papa Gregório VII, antigo monge da Ordem de Cluny, devotado à reforma espiritual do clero, logo após sua eleição afirmou a independência da igreja em relação ao poder imperial. Não apenas condenou as investiduras realizadas por leigos, como decretou a queda de todos os clérigos que houvessem obtido seus cargos em troca de dinheiro, proclamando ainda a autoridade absoluta do papado sobre a Igreja e os fiéis.
Sua atitude provocou profundas reações por parte de Henrique IV, na época imperador do Sacro Império, que se recusou a acatar os decretos papais. Gregório ameaçou excomungá-lo e o monarca reagiu tentando destruir o papa. Mas, alem da excomunhão decretada, Henrique IV enfrentou a oposição dos nobres alemães que, desejando enfraquecer a autoridade imperial, se aliaram ao papa. Enfraquecido politicamente, Henrique viu-se obrigado a pedir perdão ao papa, empreendendo em 1077 uma peregrinação a Canossa, pequena cidade do norte da Itália. Posteriormente, já suspensa a excomunhão, Henrique IV reiniciou sua ofensiva contra o papa, destituindo-o e obrigando-o a fugir de Roma.
A luta entre papado e o Sacro Império foi interrompida temporariamente com a assinatura da Concordata de Worms, um acordo firmado em 1122, que estabelecia limites aos poderes de Henrique V, então imperador do Sacro Império. Entretanto, não demorou muito para que a disputa entre os poderes secular e espiritual reiniciasse.
Durante os séculos XII e XIII, novos conflitos envolveram imperadores e papas, reacendendo a Querela das Investiduras, que na verdade se tornara uma acirrada luta pela dominação do mundo ocidental.
Os imperadores germânicos, ambicionando expandir os domínios do Sacro Império, realizaram freqüentes intervenções na Itália, especialmente no âmbito da Igreja.
Preocupados em dominar a Itália e absorvidos em disputa com os papas, os monarcas alemães tornaram-se negligentes, não conseguindo submeter os nobres de seus próprios domínios à autoridade imperial.
Do mesmo modo, também a Itália achava-se dividida em vários Estados, alguns muito pequenos, como as cidades-estados do norte, que haviam conseguido se libertar da dominação do Sacro Império. Essas cidades, enriquecidas pela atividade mercantil, contratavam grupos de soldados mercenários.
Após 1250, a Alemanha se assemelhava a um mosaico de centenas de Estados praticamente autônomos, sobre os quais a influência do imperador tornou-se bastante ,limitada, predominando a dos príncipes locais (nobres).
Tanto a Alemanha quanto a Itália, durante a Baixa Idade Média, não alcançaram o processo de centralização monárquica, permanecendo divididas até o século XIX.

A CRISE DO SÉCULO XIV E XV
Esta crise teve como causador da dissolução do feudalismo.
No ano de 1315 e 1317 a fome foi a principal causa da crise, com o crescimento populacional e a escassez de alimentos ocasionou a uma serie de epidemias.
Além disse inúmeras guerras ocorreram agravando ainda mais a situação da Europa, sendo que a maior foi a Guerra dos Cem Anos.
Com o aumento de tudo isso os senhores feudais começaram a explorar os camponeses, estes revoltados queimavam propriedades e assassinavam senhores feudais.
Como o poder descentralizado não estava conseguindo a organização, o poder centralizado começou então ganhar força, daí nasceu o Estado Moderno. Com todas estas transformações e deu início aos tempos modernos.
CONCLUSÃO
A partir do século XI, ocorreram na Europa o renascimento das cidades e a intensificação do comércio regional e internacional. O eixo econômico muito abalado com a guerra entre pais e filhos nos feudos e com o grande crescimento democrático em nascimentos e pequeno nº de mortes.
As cruzadas, movimento religioso da Igreja Católica onde buscara a supremacia sobre os povos, e também a luta para conquistar lugares cristãos.
Após a guerra dos Cem Anos vinha a grande crise do século XIV e XV, com muitas mortes, com a peste negra.
Concluímos que a Baixa Idade Média foi um grande passo para as formações Sacro Império – Romano – Germânico, da monarquia francesa e inglesa.

BIBLIOGRAFIA
História Geral – Cláudio Vicentino
História das Civilizações – Borges Hermida
História dos Tempos – Vicentino Cruz





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