quarta-feira, 26 de junho de 2013

26 de junho: PASSEATA DOS CEM MIL


O ano era 1968, ápice dos anos de chumbo no Brasil, a repressão promovida pela ditadura teve efeito reverso, ao invés de intimidar a população, movimentou grandes massas em protestos que entraram para história. Foram muitos os protestos, passeatas e comícios relâmpago. Contudo, foi no Rio de Janeiro que um grande evento marcou aquele vinte e seis de junho, a cidade testemunhou a passeata dos cem mil.

Os antecedentes de tais manifestações remontam a morte do estudante Edson Luís de Lima Souto, em 28 de Março de 1968. Edson foi assassinado pela Polícia Militar durante um confronto no restaurante Calabouço - centro do Rio de Janeiro. Muitos jovens bradavam diante do corpo do estudante: “Neste luto a luta começou!” Logo após sua morte, iniciaram as greves estudantis em todo o país que culminaram em junho de 1968, nas numerosas manifestações públicas. Oito dias antes, 18 de junho, uma grande passeata terminou no Palácio da Cultura. As forças da repressão partiram para dispersão violenta dos manifestantes e conseguiram prender o líder estudantil, Jean Marc van der Weid. No dia seguinte, os estudantes da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) se reuniram para pedir a libertação de Jean bem como, de outros alunos presos. Mais uma vez as forças do governo reagiram contra os estudantes prendendo inclusive, outros trezentos tentando com isso, desarticular o movimento. Mas o efeito era sempre reverso.


A embaixada norte americana também foi “alvo” de outra memorável manifestação de oposição a ditadura.  Após três dias de enfrentamento entre estudantes e polícia, o conflito findou com saldo de vinte e oito mortos, centenas de feridos, mil presos e 15 viaturas da polícia incendiadas.

Percebendo que a da ditadura usaria sempre a violência e prisão contra os “rebeldes”, outra estratégia foi adotada pelas lideranças do movimento: somar forças com a classe operária, também organizada em torno de movimentos grevistas e convocar a população para participar das manifestações, aproveitando-se da péssima repercussão para o governo das mortes nos protestos anteriores.  

A união de estudantes, trabalhadores, intelectuais e artistas fortaleceu, ainda mais, a passeata marcada para 26 de junho de 1968. Enfraquecida pela força das massas e pela repercussão da sua truculência os brucutus não tentaram reprimir as cem mil pessoas que participaram daquele evento. Todavia, isso não significou um recuo das forças do governo que já preparava uma nova ofensiva contra a população o AI-5.




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