domingo, 1 de setembro de 2013

Genocídio em Ruanda

Ruanda viveu, entre abril e junho de 1994, uma guerra civil em que cerca de 800 mil pessoas foram mortas. Esse episódio, ainda recente, entrou para a história como o maior genocídio africano de todos os tempos. Quase todos os mortos eram da etnia tutsi, minoria no país, que foram massacrados por extremistas da etnia hutu.

O massacre iniciou logo após o assassinato do presidente ruandês, Juvenal Habyarimana, que era hutu.  Seu avião foi derrubado quando sobrevoava o aeroporto de Kigali, capital do país, em 6 de abril de 1994 e um grupo rebelde tutsi acabou sendo responsabilizado.

Paul Kagame – líder da Frente Patriótica Ruandesa, grupo rebelde tutsi que teria derrubado o avião presidencial e atual presidente de Ruanda - nega a responsabilidade pela morte do seu antecessor. Sua alegação é que os próprios hutus teriam matado o presidente para criar um pretexto que justificaria a matança. Sabe-se, no entanto, é que independente da autoria, este episódio iniciou em poucas horas uma onda de violência que se espalhou pela capital e por todo o país.

Apesar de ter deflagrado a guerra civil, a morte do presidente não foi a única causa do genocídio. A colonização em Ruanda é apontada como um dos principais agravantes para as rivalidades entre tutsis e hutus que sempre foram rivais. Tais grupos são na verdade bastante similares - compartilham a mesma língua, territórios e tradições. Contudo, os tutsis são mais altos, magros e de pele mais clara se comparados aos hutus. Existe inclusive, uma versão que aponta a origem da etnia na Etiópia.

Quando os colonos belgas ocuparam a região em 1916, houve uma separação étnica entre os grupos, que inclusive, foram obrigados a usar carteiras de identidade que classificava as pessoas de acordo com sua etnia. Os belgas consideravam os tutsis superiores aos hutus em função de sua aparência.

Por cerca de 20 anos os tutsis estiveram ao lado dos belgas desfrutando de empregos e educação melhores que os vizinhos hutus. Desta forma, os ressentimentos foram crescendo e alimentaram uma série de revoltas em 1959. Cerca de 20 mil tutsis foram mortos e muitos se refugiaram em países vizinhos.

O processo de independência em Ruanda se desencadeou a partir da retirada dos belgas em 1962, os hutus assumiram o governo. Daí por diante os tutsis foram perseguidos em várias ocasiões.

A situação econômica no país piorou significativamente no período que antecedeu o conflito. Paralelamente, refugiados tutsis em Uganda - com o apoio de hutus moderados - começaram a formar o movimento Rwandan Patriotic Front (Frente Patriótica Ruandense), ou RPF, liderados por Paul Kagame. Seu principal objetivo era derrubar Habyarimana e retornar à terra natal.

Em 1993, depois de vários ataques e longas negociações, um acordo de paz foi estabelecido entre Habyarimana e a Frente Patriótica Ruandense. No entanto, isso não foi suficiente para acalmar os ânimos e o ataque ao avião presidencial já em abril de 1994 funcionou como estopim para o conflito.

A guarda presidencial iniciou imediatamente uma campanha revanchista contra os tutsis. Líderes da oposição foram exterminados e em seguida, começaram vários assassinatos em massa de tutsis e hutus moderados.

Os primeiros responsáveis pelo massacre foram principalmente, militares, políticos e homens de negócios, mas em pouco tempo a campanha asassina foi aderida por boa parte da população. Encorajados por militares, políticos e por intensas propagandas nas estações de rádio, os hutus formaram uma milícia não oficial Interahamwe ("aqueles que atacam juntos"). Os participantes da matança recebiam incentivos em dinheiro ou comida e acreditavam que ficariam com as terras dos tutsis que assassinassem.

Não houve uma interferência internacional durante o genocídio e até mesmo as tropas da ONU se retiraram do país.


Durante o mês de julho a Frente Patriótica Ruandense tomou Kigali, desintegrou o governo e decretou o cessar-fogo. Formou-se então um governo misto com um hutu, Pasteur Bizimungu, como presidente, e Paul Kagame tutsi como vice. A relativa paz durou pouco e Bizimungu foi preso por incitar a violência entre as etnias. Paul Kagame assumiu a Presidência.

O atual governo de Ruanda, liderado por tutsis, já invadiu o Congo duas vezes, dizendo querer eliminar as forças hutus da região. Nesse meio-tempo, um grupo rebelde tutsi no Congo continua ativo, argumentando que não vai depor armas porque, se o fizesse, sua comunidade estaria sob risco de genocídio.A maior força de paz do mundo, hoje posicionada no Congo, não conseguiu resolver o conflito*.

O problema permanece até os dias atuais. 



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