sábado, 30 de agosto de 2014

Crimeia: Ucrânia x Rússia



Alguns dados sobre a Crimeia



A Península da Crimeia está situada na costa norte do Mar Negro e o separa do Mar de Azov. Seu território é pouco menor que o Estado de Alagoas com 26.200 quilômetros quadrados. Sua população chega aos dois milhões de habitantes e boa parte de sua área faz parte da República Autônoma da Crimeia.

Mais da metade da população da Crimeia 57% é composta por russos e apenas 27% de ucranianos. Os Russos nunca viram com bons olhos a anexação do seu país pela Ucrânia em 1954, e muito menos a decisão de permanecer sob o controle de Kiev na época pós-soviética, nem mesmo na condição de República Autônoma.

Fatos históricos relevantes

A Crimeia sempre foi alvo de inúmeras disputas territoriais e por isso, foi ocupada desde a antiguidade por diversas etnias.

Durante a guerra civil pela consolidação do regime bolchevique na Rússia, após a queda do Império Russo, o território da Crimeia foi dominado por diversas facções e tornou-se um reduto de resistência ao exército bolchevique até 1920. Cerca de 50.000 pessoas, entre militares e civis, foram executadas, após a capitulação da facção do exército branco comandada pelo general Wrangel ainda em 1920. 

 A República Socialista Soviética Autônoma da Crimeia (RSSAC) foi criada em 18 de outubro de 1921, como parte da  União Soviética. 

 Na Segunda Guerra Mundial, a Crimeia novamente assistiu diversas batalhas sangrentas. Tropas nazistas sofreram graves perdas na região em 1941 quando insistiam em avançar pelo Istmo de Perekop, ligação da Crimeia ao continente. Mesmo com muitas baixas eles romperam a linha de defesa e tomaram bom parte do território com exceção do município de Sebastopol, que resistiu bravamente até 4 de julho de 1942, quando finalmente os alemães capturaram a cidade. A partir de 1 de setembro a península tornou-se um distrito controlado pelos nazistas (Distrito-Geral da Crimeia). Deve-se destacar, no entanto, que uma pequena resistência nativa continuou enfrentando as tropas do eixo até a libertação da península  em 1944.

Em maio de 1944, mais precisamente no dia 18, teve início a deportação dos tártaros da Crimeia para a Ásia Central. A decisão partiu do governo soviético de  Stalin, em retaliação a uma possível colaboração que este grupo étnico teria dado as tropas da ocupação nazistas. Havia inclusive, a acusação de que os tártaros teriam formado milícias para combater os soviéticos. 

Em 26 de junho do mesmo ano, as populações armênias, búlgaras e gregas também foram deportadas para a Ásia Central. Essa “limpeza étnica” só foi declarada ilegal em 1989.

No início da década de cinquenta houve uma nova mudança no curso histórico da Crimeia. Tal mudança veio por meio de um decreto que transferiu o território para a Ucrânia em 19 de fevereiro de 1954. A transferência foi justificada como uma "medida simbólica" em alusão ao 300º aniversário da integração da Ucraniana ao antigo Império Russo. A iniciativa veio de Nikita Khrushchev, natural da Ucrânia e secretário geral do partido comunista soviético.

Nas décadas posteriores a Crimeia experimentou um período de paz e prosperidade. Seu território tornou-se um dos principais destinos turísticos da região que recebiam visitantes de várias partes da Europa. Neste período a infraestrutura portuária também se desenvolveu principalmente, nos portos de  Kerch e Sebastopol aumentando com isso, sua importância econômica.

Em 1991 a Crimeia ganhou um governo autônomo.

Com o fim da União Soviética, a Crimeia passou a fazer parte da Ucrânia, provocando tensões com a Rússia. No ano seguinte o parlamento da Crimeia proclamou sua autonomia e a primeira constituição da nação foi aprovada, contudo, havia uma cláusula constitucional que colocava o território como parte da Ucrânia.

Por fim a Crimeia concordou em continuar integrando a Ucrânia e sua proclamação de autonomia foi anulada. Todavia, a região se conservou com considerável autonomia.

Crise atual

Milhares de manifestantes, russos e ucranianos, se enfrentaram na frente do parlamento da Crimeia no inicio de 2014. O confronto foi causado pela abolição da lei que regulamentava os idiomas das minorias, incluindo o russo. Tal regulamentação faria do ucraniano, na prática, o único idioma oficial. Contudo, essa medida não entrou em vigor. As tensões continuaram e levaram a deposição do presidente ucraniano Viktor Yanukovych.

Dias depois da deposição do presidente da Ucrânia  o Parlamento da Crimeia anunciou um referendo para o dia 25 de maio. O referendo tinha o objetivo de consultar a população crimeana sobre a proposta de anexação à Rússia ou pela restauração da Constituição da Crimeia de 1992. O governo provisório da Ucrânia, Estados Unidos e União Europeia repudiaram a atitude, contudo, a Rússia apoiou e afirmou que reconheceria o resultado desse referendo.

Forças Terrestres russas ocuparam posições estratégicas na Crimeia e foram consideradas invasoras. Sob grande vigilância os membros do parlamento elegeram Serguey Aksyonov como novo primeiro-ministro da Crimeia.

O próximo passo foi a aprovação da declaração de independência da península da Crimeia em relação à Ucrânia, não reconhecida obviamente por Kiev, era o inicio da manobra de anexação do território a Rússia.

Em 16 de março de 2014 realizou-se finalmente o referendo. Apenas as cédulas que traziam uma única resposta positiva foram consideradas válidas. O resultado do referendo, apontou que cerca de 95,5% dos votos haviam optado pela anexação do território à Rússia. Com o resultado do referendo, o Parlamento da Crimeia aprovou por unanimidade e declarou, oficialmente, a Crimeia independente da Ucrânia ao mesmo tempo em que oficializou o pedido de anexação à Rússia.

O Kremlin declarou, dias depois, que a Crimeia havia passado a fazer parte da Federação Russa e o presidente Vladimir Putin assinou o tratado de anexação.

Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos reafirmaram suas discordâncias com a anexação e a ameaça de um conflito armado continua...


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