sábado, 20 de setembro de 2014

Oriente médio: Irã x Iraque



O conflito entre Irã e Iraque, ocorrido entre 1980 e 1988, foi resultado de hostilidades anteriores que envolviam interesses territoriais e políticos na região. Além disso, foi marcado por influências externas por parte dos líderes do bloco socialista e capitalista. 



A crise que iniciou o conflito começou quando, em 1980, o presidente iraquiano Saddam Hussein, tornou sem validade um acordo assinado em 1975 que entregou ao Irã aproximadamente 500 quilômetros quadrados da faixa de fronteira localizada ao norte do canal de Shatt-al-Arab. Em troca, o Irã assumiria o compromisso de não mais enviar assistência militar à minoria curda no Iraque que lutava por sua independência. Na verdade, este argumento escondia a intenção de controlar o porto de Bassora, principal porto do país, e a reapropiação de três ilhas no estreito de Ormuz  que fora tomado pelos iranianos em 1971. Além disso, o Iraque queria desestabilizar o governo  de Teerã e se apossar do petróleo da província iraniana do Cuzistão.

Nos meses que antecederam o conflito, observaram-se várias trocas de acusações de ambas as partes: os iraquianos acusavam o Irã de infiltrar agentes no Iraque visando a derrubada do regime de Saddam Hussein. O Irã por sua vez, acusava o Iraque de violação dos espaços aéreos, terrestres e marítimos. Ambos foram atacados por aeronaves em pontos estratégicos principalmente, em poços de petróleo. A declaração oficial de guerra era só uma questão de tempo.

Finalmente, em 22 de setembro de 1980, forças iraquianas invadiram o ocidente do Irã usando a vantagem do elemento surpresa e o considerável poder bélico.  O Iraque tinha a expectativa de um conflito rápido, uma vez que contava com um exército moderno equipado na época com o auxílio dos soviéticos. Ricos países muçulmanos como o Kuwait e a Arábia Saudita, investiam pesado na campanha militar do Iraque, pois tinham interesse no enfraquecimento do regime iraniano. Por outro lado, o Irã estava isolado internacionalmente, uma vez que consideravam tanto americanos quanto soviéticos como seus inimigos.

O avanço iraquiano deu-se na linha de fronteira, área disputada, mas pouco importante. Posteriormente, avançou contra a região produtora de petróleo do Irã, mas sentiu os efeitos da contraofensiva iraniana que recapturou os territórios inicialmente conquistados. Apenas Khorramshahr permaneceu dominada pelos iraquianos. 

A guerra que parecia fácil para os iraquianos mostrou-se cada vez mais complicada frene a resistência iraniana. Passados dois anos da guerra as forças iraquianas foram forçadas a recuar em todas as suas frentes inclusive, na cidade de Khorramshahr que também foi evacuada.

Intimidado com a resistência do Irã, o Iraque a propôs um cessar-fogo que foi recusado pelo Irã que levava vantagem no conflito.

Aproveitando o bom momento, o Irã partiu para o ataque contra os colaboradores do Iraque, principalmente o Kuwait, e outros Estados do Golfo Pérsico. A guerra começou a tomar grandes proporções prejudicando inclusive, o abastecimento de petróleo mundial. Nesse contexto, vem a intervenção da ONU e de alguns países europeus. Navios de guerra de vários países foram enviados para o golfo pérsico afim de evitar ataques iranianos a petroleiros internacionais.

Os iraquianos bombardearam em 1985, uma usina nuclear do Irã que esava parcialmente construída. Além disso, bombardearam alvos civis no Irã o que provocou indignação entre os iranianos. A resposta por sua vez, veio com ataques contra Bassora e Bagdá.

Um relativo equilíbrio de forças foi estabelecido a partir de 1984, o Iraque contava com financiamentos da Arábia Saudita e Estados Unidos e por outro lado, o Irã era apoiado pela Síria e Líbia.

Mudança de posição – os soviéticos que inicialmente, vendiam armas para o Iraque, mudaram de lado no conflito passando a colaborar com o Irã. Essa mudança de posicionamento ocorreu em função do apoio americano ao Iraque.

Uma nova fase da guerra iniciou quando os iranianos intensificaram os ataques a navios civis, sobretudo petroleiros que navegavam pelo golfo pérsico. Isso resultou no aumento da presença naval estrangeira na região. Neste mesmo período, surgiram acusações que ambos os lados estariam usando armas químicas na guerra, desgastando ambos os lados. Essas acusações, somadas aos prejuízos econômicos amargados com afundamentos de petroleiros e instalações destinadas a extração de petróleo, iniciaram as pressões pelo fim dos combates.

Nos primeiros meses de 1988 a ONU exigiu um cessar-fogo imediato, contudo, o Irã não aceitou. No início de agosto do mesmo ano as negociações ainda não tinham avançado, mesmo com a mediação do secretário-geral da ONU, Perez de Cuéllar. Todavia, a economia iraniana já não podia suportar os esforços de anos de guerra e um armistício finalmente foi aceito antes do final do mês. A questão só foi definida definitivamente, mesmo com o estabelecimento da paz em 1988, no início da década de noventa. O Iraque aceitou o acordo que desde 1975 estabelecia a fronteira entre os dois países.

Não se pode afirmar que houve vencedores neste conflito, mas as perdas superaram a marca de 1,5 milhão de vidas, sem contar os prejuízos econômicos.


As relações diplomáticas entre Irã e Iraque foram restabelecidas ainda no início da década de noventa. Pouco tempo depois, o Iraque iniciou um novo conflito, a guerra do golfo. 

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