sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O Soldado Medeiros



Diz-se que o soldado Medeiros, que em 1822 juntou-se às tropas que combatiam os portugueses no movimento de Independência do Brasil, era muito hábil com as armas, disciplinado e audacioso. Se por essas características qualquer combatente já mereceria destaque, um detalhe o fazia ainda mais singular. O soldado Medeiros era na verdade uma mulher: Maria Quitéria de Jesus Medeiros, a primeira brasileira a integrar uma unidade militar no País.

Diz-se que o soldado Medeiros, que em 1822 juntou-se às tropas que combatiam os portugueses no movimento de Independência do Brasil, era muito hábil com as armas, disciplinado e audacioso. Se por essas características qualquer combatente já mereceria destaque, um detalhe o fazia ainda mais singular. O soldado Medeiros era na verdade uma mulher: Maria Quitéria de Jesus Medeiros, a primeira brasileira a integrar uma unidade militar no País.

Nascida provavelmente em 1792 na Comarca de Nossa Senhora do Rosário, em Feira de Santana (BA), filha de um fazendeiro da região, Maria Quitéria teve uma infância livre e feliz até a morte de sua mãe, quando teve que assumir a tarefa de cuidar dos dois irmãos mais novos. Em 1822, os partidários da Independência do Brasil começaram a percorrer a Bahia à procura de voluntários e doações para a luta contra os portugueses.

Ao saber da convocação, pediu permissão ao pai para se alistar, mas ele não deixou. Ela então se disfarçou de homem, tomando roupas emprestadas do cunhado e, contra a vontade do pai, alistou-se no regimento de artilharia, como o soldado Medeiros. Depois foi transferida para a infantaria e passou a integrar o Batalhão dos Voluntários do Imperador, tornando-se a primeira mulher a pertencer a um unidade militar no Brasil. 

Duas semanas depois, foi descoberta pelo pai, que a procurava. Entretanto, devido à facilidade com que manejava as armas e por sua disciplina, o major Silva e Castro não permitiu que ela fosse desligada do grupo. Maria Quitéria conquistou o respeito dos companheiros, assumiu a sua condição feminina e não precisou mais usar roupas masculinas. Destacou-se pelo seu entusiasmo e bravura. Sua luta influenciou outras mulheres, formando um grupo feminino liderado por ela.

Depois que D. Pedro I declarou a Independência do Brasil, em 7 de setembro, as tropas portuguesas continuaram lutando no País. Na batalha que ocorreu na foz do rio Paraguaçu, em solo baiano, o grupo de mulheres comandadas por Quitéria se destacou. Quando os portugueses foram derrotados, em julho de 1823, Maria Quitéria foi reconhecida como heroína das guerras pela Independência e homenageada pelo imperador, recebendo o título de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro.

Mesmo com roupas de soldado, muitos cronistas da época diziam que Maria Quitéria mantinha sua feminilidade e tinha uma beleza marcante. Diz-se também que usava uma farda azul com um saiote que ela mesma havia feito e um capacete com penacho. Sua independência pessoal serviu de incentivo para os futuros movimentos feministas.

Apesar de suas lutas e conquistas pelo País, Maria Quitéria passou a viver no anonimato após o casamento com o lavrador Gabriel Pereira de Brito, antigo namorado, com quem teve uma filha, Luísa Maria da Conceição. Depois da morte do marido, foi para Feira de Santana tentar receber parte da herança do pai, mas desistiu do inventário. Mudou-se com a filha para Salvador, onde ficou progressivamente cega e faleceu em 1853.

Maria Quitéria é patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Em 1953, aos cem anos de sua morte, o governo brasileiro decretou que o retrato de Maria Quitéria fosse inaugurado em todos os estabelecimentos, repartições e unidades do Exército do Brasil.

Fonte:Exército

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